‘Folga’ de Lula após eleições será em Trancoso, no extremo sul da Bahia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca na Bahia nos próximos dias para um curto período de descanso após as eleições. Após cogitar ficar hospedado nas proximidades de Salvador, o presidente eleito escolheu ficar em Trancoso, na região de Porto Seguro. O destino permite privacidade para que Lula e Janja consigam ficar distantes dos holofotes.

O casal deve ficar hospedado na casa de um político com atuação na região. O senador Jaques Wagner teria sido responsável pela articulação para que Lula tivesse como destino o litoral sul baiana, frente ao costume do ex-presidente de escolher o entorno da Baía de Todos-os-Santos para descansar.

Quando esteve no Palácio do Planalto, Lula tinha por hábito aproveitar folgas na Praia de Inema, espaço controlado pelo Exército. O lugar também foi destino de outros mandatários como Dilma Rousseff, Michel Temer e o próprio Jair Bolsonaro. Todavia, ainda sem tomar posse para o terceiro mandato, o ex-presidente optou por hospedagem na casa de apoiadores.

Queimadas: Idosa de 68 anos vota deitada em cama hospitalar

Uma idosa de 68 anos fez questão de votar, mesmo deitada em uma cama hospitalar, no colégio municipal da cidade de Queimadas, no território do Sisal.

Apesar da limitação física e dos problemas de saúde, Nilzete Alves da Silva, que já foi vereadora da cidade, exerceu o direito do voto na manhã de domingo (30) com o apoio do filho, de mesários e fiscais da Justiça Eleitoral.

“Foi muito bom, porque quando a gente é patriota e cidadão, nós temos que ter o valor e deixar o exemplo para nossa família, nossos filhos. O voto é um direito humano”, disse a ex-vereadora.

O momento foi registrado por pessoas que estavam na escola.

Dobradinha com Lula dá resultado e Jerônimo garante continuidade do PT na Bahia

Eleito com quase 53% dos votos válidos, Jerônimo Rodrigues (PT) terá uma vida mais tranquila no governo da Bahia do que o aliado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto. Tendo construído a base do futuro governo na dobradinha com Lula, o novo governador dará continuidade ao projeto iniciado por Jaques Wagner em 2006 e continuado por Rui Costa nos últimos oito anos. Agora, passada a tensão da eleição, os próximos passos serão decisivos para identificar quem realmente é Jerônimo.

O primeiro autodeclarado indígena a comandar um governo estadual no Brasil terá o desafio de imprimir a própria marca nessa história do PT na Bahia. Durante a campanha eleitoral, o então candidato passou muito tempo sob a sombra de Lula e de Rui. Por mais que os aliados tentassem apresentá-lo ao eleitor, Jerônimo foi o “time de Lula” para elegê-lo e o “ajudante de Rui” por mais tempo do que deveria. Diferente de Lula – e do próprio Wagner -, ainda não dá para saber se o atual comandante do Palácio de Ondina terá desprendimento do cargo. Então, Jerônimo terá que ser grato ao padrinho, ao mesmo tempo em que precisará se mostrar independente dele.

Com a onda federal favorável, Jerônimo pode viver momentos similares aos dos dois mandatos de Wagner e aos dois primeiros anos de Rui. A diferença primordial é a condição de instabilidade política e econômica que Lula vai enfrentar a partir de janeiro de 2023. Caso as instituições funcionem como devem funcionar, não teremos surpresas a partir da derrota do presidente Jair Bolsonaro, primeiro a se frustrar na tentativa de reeleição. Até o momento em que essa coluna era escrita, Bolsonaro não havia reconhecido o resultado das urnas, então é um fator a ser considerado até o final deste ano.

Por mais que tenha perdido a disputa pelo governo da Bahia, ACM Neto (União) não sai minúsculo do pleito, como chegaram a pregar os adversários e até o fogo amigo. A diferença de cerca de 6% entre a votação dele e de Jerônimo mostra que uma parcela expressiva da população baiana comprou o discurso de mudança e pode cobrar pelo desempenho do novo governador com mais afinco do que em eleições anteriores, quando os petistas venceram no primeiro turno. A oposição não deve ter robustez, mas a depender da forma com que ACM Neto se apresentar, pode fazer barulho suficiente para pressionar Jerônimo de maneira com que os antecessores não enfrentaram.

Jerônimo sai vitorioso. Lula ainda mais. Além de vencer a disputa presidencial, o futuro comandante da nação pode colocar na própria conta também a eleição do aliado na Bahia. O ex-presidente teve mais de 72% dos votos dos baianos e mostrou que, aqui no estado, não houve tanto espaço para o bolsonarismo – o atual presidente venceu em apenas duas cidades. Agora é esperar a poeira baixar e ver como se comportam os eleitos e os derrotados nas urnas.

Texto: Fernando Duarte – Bahia Notícias

Gás de cozinha deve ficar mais barato a partir de terça-feira, informa Acelen

A partir de terça-feira (1º) haverá redução de 6,7% no preço do gás de cozinha, chamado de GLP. De acordo com informações da Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, os preços dos combustíveis produzidos na região de São Francisco do Conde, no recôncavo baiano, seguem critérios de mercado.


Tais critérios, como indica a empresa, considera variáveis como custo do petróleo, que são adquiridos a preços internacionais, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo. A Acelen, que é responsável por cerca de 30% da produção industrial da Bahia, diz que possui uma política de preços transparente, amparada por critérios técnicos, em consonância com as práticas internacionais de mercado.

Maior fabricante de carros elétricos do mundo, BYD vai instalar três fábricas na Bahia

A BYD, maior fabricante de carros elétricos do mundo, irá investir R$ 3 bilhões para instalar três fábricas na Bahia, gerando 1.200 empregos diretos durante o período de implantação. As unidades irão produzir chassis de ônibus e caminhões elétricos e veículos de passeio elétricos e híbridos e processar lítio e ferro fosfato, de acordo com o protocolo de intenções assinado nesta quinta-feira (27) entre a BYD do Brasil, subsidiária da empresa chinesa no país, e o Estado da Bahia.

Pelo Estado, assinaram o documento o governador Rui Costa e os secretários estaduais de Desenvolvimento Econômico, José Nunes Soares, e da Fazenda, Manoel Vitório. Já o Diretor Presidente da BYD do Brasil, Tie Li, assinou o protocolo de intenções em nome da empresa. Conforme o cronograma, todas as unidades começam a ser implantadas em junho de 2023. Duas delas devem estar concluídas em setembro de 2024, com início de operação em outubro. A terceira tem conclusão prevista para dezembro do mesmo ano, com início de operação em janeiro de 2025.

ETAPAS

A implantação de uma indústria química para processamento de lítio e ferro fosfato constitui, de acordo com o protocolo, a primeira fase do empreendimento. Esta unidade utilizará como insumos o lítio extraído no Brasil. A produção desta unidade será exportada para a China. Em paralelo com a indústria química, será implantada a fábrica de chassis para produção de ônibus e caminhões elétricos, sendo que a produção de ônibus elétrico será para abastecer o mercado das regiões Norte e Nordeste do Brasil. A produção de veículos de passeio elétricos e híbridos compreende a terceira fase do acordo. O protocolo prevê ainda que a BYD também analisará a viabilidade da importação de veículos acabados pelo porto de Salvador.

INCENTIVOS

A contribuição do Estado da Bahia para viabilização do empreendimento inclui a concessão de incentivos fiscais até 31 de dezembro de 2032, de acordo com a legislação tributária estadual. Os benefícios baseiam-se na Lei nº 7.537/99 que institui o Programa Especial de Incentivo ao Setor Automotivo da Bahia (Proauto), e na Lei nº 7.980/2001 e Decreto n.º 8.205/2002, estaduais, que institui o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica (Desenvolve). A implantação na Bahia de planta industrial dotada com a mais avançada tecnologia global do setor automotivo trará benefícios como o desenvolvimento social do Estado da Bahia, em decorrência do incremento da base produtiva e circulatória de bens, e a geração de novos empregos e renda. Ainda de acordo com o protocolo, os incentivos se justificam por ser indispensável que o Estado, visando ao incremento do desenvolvimento industrial e comercial, propicie condições para a realização de investimentos no setor produtivo, mediante a formação de parcerias com o setor privado.

COMPROMISSOS DA BYD

Entre as contrapartidas assumidas pela BYD estão a elaboração de um plano de negócios detalhado, que deverá ser aprovado pelo Estado. A empresa deverá promover o treinamento e a capacitação de mão de obra especializada, prioritariamente local, a ser aproveitada no processo fabril. Deverá ainda, a cada seis meses após a assinatura do protocolo e até a entrada em operação das unidades industriais, informar à Secretaria de Desenvolvimento Econômico sobre o estágio do empreendimento e a previsão de implantação. A BYD também deverá priorizar a contratação de empresas estabelecidas na Bahia para a realização das obras civis, contratação dos serviços e aquisição dos insumos necessários à implantação e operação do empreendimento, priorizando fornecedores locais e obrigando-se a disponibilizar a lista completa dos serviços a contratar e dos insumos a adquirir, o que contribuirá para o adensamento da cadeia produtiva dentro do estado. Outra contrapartida estabelecida é a adesão da empresa ao Projeto Estadual de Incentivo à Primeira Experiência Profissional – Estágio, Aprendizagem e Ocupação Formal (Projeto Primeiro Emprego).

Félix Mendonça apresenta projeto que pune candidatos que faltem a debates no segundo turno

O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT) apresentou na Câmara um projeto de lei que altera a legislação eleitoral para determinar a realização de ao menos dois debates oficiais nos locais em que houver disputa de segundo turno, em quaisquer das esferas federativas (União, estados e municípios). A medida visa fortalecer o processo democrático e facilitar a escolha do eleitor.

Pela proposta, as rádios e TVs, que são concessão pública, terão que realizar dois debates onde houver segundo turno, em sistema de pool de emissoras, cada um com uma hora e meia de duração. Esse tempo será extraído da propaganda eleitoral que esses veículos exibem durante as eleições. O projeto prevê ainda punição para o candidato que não comparecer aos debates oficiais.

“Quem fugir dos debates previstos na nova legislação, caso o texto seja aprovado, perderá o tempo equivalente na propaganda eleitoral”, explicou Félix. “O objetivo do projeto é justamente estimular que os concorrentes debatam e confrontem suas ideias para que o eleitor tenha instrumentos para fazer bem a sua escolha nas urnas”, acrescentou.

Félix explicou o motivo da proposta prever a realização dos debates oficiais apenas no segundo turno. “No primeiro turno, tem muito candidato que faz jogo combinado com outro. Já no segundo, isso não pode acontecer porque o confronto é direto. Além disso, quando o pleito não é definido no primeiro, o nível de indecisão da população tende a ser maior, e o debate se torna mais fundamental até para ajudar a reduzir as abstenções”.

O parlamentar afirmou ainda que o projeto não impede que outros meios de comunicação, inclusive de concessão pública, promovam seus debates. “O que queremos é só garantir que os candidatos participem ao menos de dois confrontos definidos pela Justiça Eleitoral, com regras definidas pelas campanhas e as emissoras. Claro, quanto mais debates, melhor”, frisou.

“Na Bahia, por exemplo, é muito triste ver o que está acontecendo, com o candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, se recusando a dar ao eleitor uma oportunidade de comparar as duas propostas nos veículos de comunicação. Acho que essa não deve ser a postura de alguém que almeja ser governador”, complementou.

Vitória encaminha empréstimo de jogador teofilandense ao Itabuna

O lateral-esquerdo Elivelton, do Vitória, que é teofilandense, está próximo de ser emprestado ao Itabuna para a disputa do Campeonato Baiano 2023. O Bahia Notícias apurou que as conversas estão adiantadas e faltam pequenos detalhes para o martelo ser batido.

Revelado pelo Vitória, Elivelton tem 22 anos. Nesta temporada, ele foi cedido por empréstimo ao Águia de Marabá-PA.

O contrato de Elivelton com o Vitória é válido até julho de 2023.

O Campeonato Baiano começa no dia 10 de janeiro e termina em 9 de abril.

Real Time: Jerônimo mantém liderança e aparece com 53% dos votos válidos; Neto tem 47%

Um novo levantamento eleitoral para o governo da Bahia foi divulgado nesta quinta-feira (27) e aponta a manutenção da liderança de Jerônimo Rodrigues, candidato do PT, na disputa com ACM Neto (União). Na pesquisa Real Time Big Data, o ex-secretário de Educação da Bahia aparece com 53% dos votos válidos e o ex-prefeito de Salvador tem 47%.

O levantamento ouviu 1.200 pessoas, presencialmente, entre os dias 24 e 25 de outubro e está registrado sob o nº TRE-BA BA-03758/2022. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e 95% de nível de confiança.

Na Bahia, Lula cresce em aprovação; Bolsonaro continua com alto índice de rejeição

A pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira (26), indica que Lula (PT) conseguiu crescer o seu índice de aprovação na Bahia, saltando de 70,9% para 71,2% se compararmos com o último levantamento do Instituto. Enquanto isso, Bolsonaro (PL) oscilou para baixo, de 29,1% para 28,8%. Quando o questionamento foi rejeição, o atua presidente segue à frente, tendo um desempenho reprovado por 68,4% e aprovado por apenas 28,3%. Na avaliação, 64,3% consideram o governo federal ruim/péssimo, 18,5% acham ótimo/bom e 16,1% entendem ser regular.

Para O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, os votos na Bahia se mantêm estáveis mesmo em meio a tantos casos de repercussão. “Uma eleição altamente polarizada, difícil para ter qualquer tipo de impacto de última hora, mesmo com esses eventos negativos para o Bolsonaro, caso Roberto Jefferson, a acusação de pedofilia, salário mínimo, apesar disso, ele segue resiliente, até porque a base dele é muito sólida. É difícil, no entanto, ele conseguir os votos que faltam [na Bahia] para virar a eleição”, ponderou.

Brasil passa a Rússia e vira 3º país com mais mulheres presas no mundo

Desde o ano 2000, o número de mulheres presas no Brasil quadruplicou enquanto, no mundo, a população prisional feminina cresceu 60%, somando 740 mil mulheres. 

Com o aumento desproporcional, o Brasil bateu a marca das 42 mil presas, ultrapassou a Rússia (37 mil) e assumiu a terceira posição no ranking dos países com mais mulheres atrás das grades. A lista é encabeçada por EUA (211 mil) e China (145 mil). 

Os dados são da quinta edição do World Female Imprisonment List, levantamento global sobre mulheres presas realizado pelo ICPR (sigla em inglês para Instituto de Pesquisa em Políticas Criminal e de Justiça) de Birkbeck College (Universidade de Londres), no Reino Unido. 

Para comparação, considerando homens presos, o Brasil ocupa desde 2017 a mesma terceira posição no ranking global, também atrás de EUA e China. Desde 2000, essa população aumentou 22% no globo —quase um terço do crescimento entre mulheres. 

A taxa de encarceramento feminino no Brasil, que em 2000 era de 6 presas para cada 100 mil mulheres, agora é de 20, o que coloca o país em 15º lugar no ranking proporcional —liderado por EUA (64), Tailândia (47), El Salvador (42), Turcomenistão (38), Brunei (36), Macau, na China, (32), Belarus (30), Uruguai (29), Ruanda (28) e Rússia (27). 

O documento britânico compila dados prisionais de fontes oficiais e destaca tanto o fornecimento incompleto de dados pelo governo da China quanto a indisponibilidade total de informações de outros cinco países: Cuba, Etiópia, Coreia do Norte, Somália e Uzbequistão. As informações sobre o Brasil são de dezembro de 2021. 

Os dados consideram tanto presas provisórias (aquelas que ainda não foram julgadas) quanto condenadas. No Brasil, 45% das mulheres encarceradas são presas provisórias. 

Para Catherine Heard, diretora do projeto no ICPR, é preocupante o aumento de mulheres presas porque as evidências mostram que a prisão é particularmente prejudicial para elas. “Seus impactos adversos continuam por muito mais tempo e podem causar danos irreparáveis, não apenas às mulheres, individualmente, mas também a seus filhos.” 

No Brasil, 74% das mulheres presas são mães e 56% têm dois ou mais filhos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública de 2018. 

“Muitas mulheres presas são mães que têm sido a principal ou a única cuidadora de seus filhos. Portanto, as consequências de cada vez mais mulheres serem presas são sérias para famílias, comunidades e para a sociedade como um todo”, afirma Heard. 

Segundo ela, observar o sistema prisional através de um recorte de gênero é importante porque “mulheres presas, em geral, vêm de um contexto de privação e desigualdade”. 

Entre as presas brasileiras, 63,5% são mulheres negras, 47,3% são jovens e 51,9% têm apenas o ensino fundamental incompleto. Além disso, dados de 2018 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a partir do registro no CadÚnico mostram que a mediana da renda familiar mensal per capita de mulheres presas era de R$ 40 enquanto a de mulheres não presas era de R$ 100. 

Para Karine Vieira, que passou pelo sistema carcerário de São Paulo antes de criar a ONG Responsa, em que auxilia egressas de presídios numa nova jornada fora do crime, as mulheres entram na criminalidade por fatores diversos, mas uma parte considerável é por questão de sobrevivência e de autonomia. 

“Há um crescimento enorme de mulheres que buscam gerar renda para manter sua vida, seus lares, seus filhos e, por falta de oportunidade, encontram na criminalidade uma maneira de sobrevivência”, avalia ela.
 “São mães solos, mulheres que romperam relacionamentos, entre outras. É importante enxergarmos que boa parte delas são mulheres periféricas, com baixa escolaridade e pouco acesso.” 

Heard, a diretora do programa de dados prisionais do ICPR, aponta que o aumento exponencial de mulheres presas no Brasil teve como motores o “uso praticamente automático da prisão preventiva nos casos de acusação de crimes ligados a drogas e as altas penas aplicadas a esses casos”. 

No Brasil, 3 a cada 5 mulheres presas respondem por crimes relacionados à Lei de Drogas (11.343), de acordo com o Infopen 2018. 

“Os países que apresentaram os maiores crescimentos [de mulheres presas] tiveram ‘guerra às drogas’ muito duras nos anos recentes, o que envolve políticas de tolerância zero até para práticas menores, como posse para uso pessoal”, diz Heard. “Essas são políticas exportadas dos EUA para a América Latina e também para alguns países da Ásia, como a Tailândia”, explica. 

Para a pesquisadora britânica, é importante observar que as mulheres presas “têm histórias anteriores de traumas, problemas de saúde mental, desamparo, abuso de drogas ou álcool e violência sexual ou doméstica”. 

No Brasil, a maioria das mulheres presas relata uma trajetória de violências. Estudos no Rio de Janeiro e em Santa Catarina apontaram que a cada 4 presas 3 sofreram violência na infância ou adolescência e que os casos de violência doméstica praticada por parceiro têm proporção ainda maior. 

Segundo Heard, “a prisão traumatiza novamente essas mulheres e as distancia ainda mais dos mecanismos de apoio, aumentando o estigma aos olhos da sociedade”, o que dificulta a retomada da vida fora do crime. 

Heard aponta para o fato de mulheres serem majoritariamente acusadas por crimes não violentos e de muitas ficarem presas porque não têm como pagar multas e fiança ou, em alguns casos, terem dificuldade em obter representação legal.
 
“A prisão muitas vezes só perpetua a violência estrutural e de Estado”, avalia.

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