Ex-diretor da PRF é preso em investigação sobre interferência nas eleições de 2022

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (9), o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques na casa do militar, em Florianópolis (SC). A ação faz parte da operação Constituição Cidadã, que cumpre 10 mandados de busca e apreensão emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da investigação sobre uma suposta interferência da PRF durante o segundo turno das eleições.

Apenas um mandado de prisão preventiva foi emitido pelo STF, o de Silvinei. Além da prisão do ex-PRF, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Santa Catarina, além de outros sete em Rio Grande do Sul (2 mandados), Distrito Federal (5) e Rio Grande do Norte (1), com outros alvos. 

Em nota, a PF afirma que a operação busca esclarecer o uso de máquina pública para fins eleitorais. “De acordo com as investigações, integrantes da Polícia Rodoviária Federal teriam direcionado recursos humanos e materiais com o intuito de dificultar o trânsito de eleitores no dia 30/10/2022″”, diz a instituição.

A corporação também afirma que “os crimes apurados teriam sido planejados desde o início de outubro daquele ano, sendo que, no dia do segundo turno, foi realizado patrulhamento ostensivo e direcionado à região Nordeste do país”.

A Corregedoria da PRF trabalha em conjunto com a PF e determinará a oitiva de 47 policiais rodoviários federais. “Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de prevaricação e violência política, previstos no Código Penal Brasileiro”, pontua a nota da PF. 

Silvinei chegou a ser intimidado pessoalmente por Moraes – Quando vídeos e fotos dos bloqueios feitos em estradas do Nordeste começaram a viralizar nas redes sociais, junto ao acionamento da polícia pelos eleitores impedidos, em 30 de outubro de 2022, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, determinou que as operações fossem interrompidas “imediatamente”.

Se Silvinei descumprisse a ordem, teria de pagar multa pessoal e horário de R$ 100 mil, além do afastamento das funções por desobediência. O ex-PRF foi convocado, inclusive, para uma reunião pessoal na tarde daquele domingo para prestar esclarecimentos. 

No dia anterior às operações da PRF, vistas como interferência eleitoral para beneficiar o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), Vasques publicou um pedido de votos para o ex-presidente na conta do Instagram.

Vereador joga dinheiro pela janela da Câmara e afirma que recebeu do prefeito para renunciar

Na manhã desta sexta-feira (4), um vereador do município de Cândido Mendes, no Maranhão, provocou um alvoroço na cidade ao jogar dinheiro pela janela da Câmara de Vereadores. Em um vídeo (assista aqui), o vereador Sababá Filho (PCdoB) aparece fazendo um longo discurso na Câmara, que aguardava a sua renúncia. No entanto, as imagens mostram que ele rasga a carta de renúncia e afirma que recebeu R$ 300 mil do prefeito Facinho (PL) para desistir do mandato.

Em seguida, o vereador apresenta uma mochila cheia de dinheiro e diz que teme pela própria vida. O vereador afirma no discurso que não iria renunciar. Ele pega as notas na mochila e joga pela janela da Câmara dos Vereadores.

O valor seria de R$ 250 mil e, na rua, a atitude do vereador chamou a atenção da população, que se amontoou e disputou as várias notas que foram jogadas.

Conflito entre prefeito e oposição

Cândido Mendes vive uma crise política por causa de diversos conflitos envolvendo o prefeito Facinho , seu grupo político na Câmara e vereadores de oposição.

Em sessão extraordinária da Câmara , no dia 26 de junho, quatro vereadores da base do prefeito foram cassados por suposta quebra de decoro parlamentar, após uma sessão secreta aberta pelo presidente da Câmara, Josenilton Santos, que faz parte do grupo da oposição.

Segundo os vereadores, a suposta manobra foi feita para que a oposição tivesse maioria na Câmara para cassar o prefeito. No entanto, os vereadores cassados conseguiram um Mandado de Segurança na Justiça que anulou a cassação e os reconduziu aos cargos.

Após o caso, a crise na Câmara de Vereadores se acentuou e, nesta sexta-feira (4), um dos vereadores de oposição, Sababá Filho, afirmou que recebeu dinheiro do prefeito para renunciar.

O que diz o prefeito

Em nota, o prefeito Facinho (PL) afirmou que não manteve contato com o vereador Sababá e que irá processá-lo por calúnia e difamação.

“O Prefeito JOSE BONIFACIO ROCHA DE JESUS vem a público, acerca dos fatos envolvendo o vereador SABABA FILHO, esclarecer: primeiro, não manteve nenhum tipo de contato ou teve qualquer tratativa com esse vereador, seu notório inimigo político e conhecido por armações e criar espetáculos, para se promover; segundo, o que o prefeito soube foi que o referido vereador preparou carta de renúncia, tendo comparecido pessoalmente a um Cartório, em São Luís-MA, reconheceu sua assinatura no referido documento e o protocolou na Câmara Municipal, na tarde de ontem (03/08/2023); e por fim, o que se sabe é o que referido vereador estava desesperado, por ter tentado me cassar e não ter conseguido, por não ter fundamentos legais, tampouco quórum necessário para cassação, não tendo para este prefeito nenhuma utilidade em sua renúncia ou não, sendo insignificante a sua saída da Câmara. Tudo não passou de uma simulação para criar tumulto e aparecer”, diz a defesa do prefeito.

 

Lula diz que vai criar programa para baratear passagens aéreas a aposentados e domésticas

O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (1º) que vai criar um programa para baratear passagens aéreas. O mandatário comentou o tema ao falar da posse do novo ministro do Turismo, Celso Sabino. 

“Eu falei com o ministro (Sabino), ele vai apresentar um programa. Ele vai tomar posse ainda oficialmente agora. O que eu quero é que a gente apresente um programa para facilitar a viagem dos aposentados, dos trabalhadores, da empregada doméstica, nós temos que baratear para as pessoas poderem viajar”, disse. 

O ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, já afirmou que a proposta deve viabilizar as passagens por R$ 200. 

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil no fim de junho, França afirmou que o desconto será dado a quem não realizou voos domésticos nos últimos 12 meses, detalhou parte das medidas e falou sobre as negociações com as empresas para a implantação. Cada pessoa terá direito a quatro passagens, cada uma a R$ 200, por ano. 

A ideia, segundo ele, é ampliar o público a ser atendido pelas aéreas para além dos que já viajam de avião habitualmente. 

“Nós vamos criar um mecanismo novo, que é um aplicativo, que você vai digitar o seu CPF e se você não voou nos últimos 12 meses, você escreve lá: ‘eu quero ir de Brasília a Manaus’, aí vai te dar todas as opções, que é sempre por um único valor de R$ 200; R$ 200 de ida e R$ 200 de volta.”

Saúde cobra devolução de R$ 11 milhões de empresa investigada na CPI

O Ministério da Saúde cobra a devolução de R$ 11 milhões pagos durante o governo Bolsonaro à VTCLog, empresa alvo da CPI da Covid em 2021, pela cobrança de uma taxa, que considera que a empresa não tinha direito, na distribuição de vacinas contra Covid-19.

Em setembro de 2022, a VTC Log conseguiu liminar na Justiça para não pagar a taxa, que acredita ter sido cobrada corretamente. A ação judicial ainda está em andamento. As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

“Após a liminar, a empresa não recebeu nenhuma cobrança do MS e os pagamentos da taxa de redespacho vêm sendo devidamente realizados sem qualquer questionamento”, diz a empresa, em nota.

A CPI da Covid revelou que o então diretor de Logística da Saúde, Roberto Dias, responsável por lidar com os contratos com o ministério, teve boletos de despesas pessoais pagos pela empresa.

O Ministério da Saúde concluiu, em processo interno, que a VTCLog cobrou uma taxa para distribuir vacinas contra Covid-19 para capitais e regiões metropolitanas. Mas esses valores, que chegaram a ser pagos à empresa, não estavam previstos em contrato, segundo a Saúde.

Em 2021, a empresa foi comunicada de que seria cobrada em R$ 11 milhões pelo prejuízo. Após o caso ser judicializado, a cobrança nunca aconteceu.

A Saúde reconhece que houve “investigações e fragilidades na execução contratual” com a VTC Log. O contrato de distribuição de medicamentos venceu agora, em julho, e o ministério está preparando uma nova licitação.

Procurado, o Ministério da Saúde afirmou que “cumpre a determinação judicial ao tempo que aguarda conclusão do processo judicial, para tomar as medidas administrativas que se façam necessárias”.

Cresce número de internações por infarto nos últimos 14 anos no país

Dentre os tipos de doenças existentes, as que mais têm levado a óbito homens e mulheres no país são as doenças cardiovasculares. Seja por falta de tempo ou de recursos financeiros, a verdade é que nem todo mundo consegue manter uma vida saudável.  Contudo, é importante que a população ligue o sinal de alerta, pois o infarto, por exemplo, é o tipo de doença cardiovascular que mais tem matado nos últimos 14 anos.

De acordo com um levantamento de dados realizado pelo Instituto Nacional de Cardiologia (INC), de 2008 a 2022 o número de internações por infarto no Brasil tem aumentado consideravelmente. Nos homens,  a média mensal saltou de 5.282 para 13.645, representando uma alta de 158%. Já entre o público feminino, a média mensal foi de 1.930 para 4.973, um aumento de 157%. Segundo o cardiômetro, que indica o quantitativo de óbitos por doenças cardiovasculares no Brasil, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), este ano mais de 218 mil mortes já ocorreram.

No estado, segundo dados  da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), até o mês de maio deste ano, foram 4.712 internações de baianos por infarto. Desse total, 3.070 pessoas têm 60 anos ou mais. Já referente aos óbitos, o quantitativo ultrapassa dos 2.400 devido a doenças isquêmicas do coração.

Dentre as doenças cardiovasculares mais frequentes na população estão a doença arterial coronariana, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, doença arterial periférica e doença valvular. Maria Angélica da Silva tem 59 anos. Ela conta há quanto tempo tem problemas cardíacos e como vem se cuidando. “Eu tenho problema no coração há 22 anos. O médico me pediu para fazer caminhadas e ter uma alimentação mais saudável. Mas só consigo comer bem e fazer a caminhada quando vou para o interior, pois no dia a dia eu não tenho muito tempo. Ele também passou alguns remédios para tratar da minha arritmia e da minha pressão alta”, contou.

Uma rotina que inclui cuidar dos filhos, sair para trabalhar e cuidar da casa, sem contar os estudos, torna-se cansativa para muitas mulheres. Frente a isso, muitas delas não conseguem dar prioridade à saúde física, e consequentemente acabam adquirindo inúmeras doenças. No entanto, tanto nos homens quanto no público feminino, outra situação que pode alavancar as doenças cardiovasculares são a falta de informação, como afirma o Dr. Luiz Agnaldo Souza, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Bahia (SBC).

“A situação socioeconômica pode ser um agravante da doença. Mulheres que sofrem violência doméstica, por exemplo, correm muito mais riscos, em estudos comprovados, abuso e intimidação do parceiro é um fator marcante de influência da piora das doenças cardiovasculares. Outro dado é a falta de conhecimento das doenças. Há um desconhecimento dos fatores de risco na população em um contexto socioeconômico mais baixo. Então é importante que essa prevenção seja diferenciada na população de menor acesso à informação”, ressaltou.

Causas e Sintomas – Hipertensão, diabetes, a idade e alterações no nível de colesterol, obesidade, histórico familiar e o sedentarismo são os principais fatores para que tanto os homens quanto as mulheres possam ter um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Para que os pacientes possam fazer o tratamento o quanto antes, é preciso estar atento aos sintomas, que são: dor no peito, falta de ar, fadiga incomum, palpitações, tonturas e náuseas.

O Dr. Luiz Agnaldo ainda reforça que nas mulheres ainda podem existir outros fatores de risco. “Para as mulheres existe ainda um agravante da síndrome metabólica, o estresse e depressão, o tabagismo e história de doenças inflamatórias, como artrite reumatóide e lupus, que acaba causando uma maior inflamação arterial. Outros fatores também são os baixos níveis de hormônio estrogênio, pós-menopausa e mulheres que estão em radioterapia ou quimioterapia para câncer de mama”, explicou.

Tratamento e prevenção – A prática regular de exercícios, manter uma alimentação saudável, evitar o tabagismo e o consumo de álcool além de fazer consultas e exames para saber se a saúde está em dia contribui para o tratamento e a prevenção das doenças cardiovasculares. O cardiologista Luiz Agnaldo fala sobre a importância de saber qual é o perfil de risco que a pessoa tem para realizar o tratamento.

“Se houver uma tendência à hipertensão, diabetes ou colesterol é preciso fazer os check-ups mais cedo. Se você é sedentário, tem que praticar atividade física; se fuma, tem que abandonar o cigarro. O maior fator de risco da história das doenças cardiovasculares é o tabagismo. Uma vez tendo a doença é preciso entrar em contato com uma unidade de pronto atendimento ou contactar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em casos extremos”, falou.

Governo acaba com programa de escolas cívico-militares e anuncia plano de transição

O governo Lula (PT) publicou decreto, nesta sexta-feira (21), que revoga o programa federal de fomento a escolas cívico-militares, uma bandeira de Jair Bolsonaro (PL). 

O texto foi publicado no Diário Oficial da União. Ele prevê ainda que o Ministério da Educação, no prazo de 30 dias, vai apresentar um plano de transição para o encerramento dessas escolas, de forma pactuada com estado e municípios. 

A intenção do governo já havia sido anunciada há cerca de dez dias. Pouco depois, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou a criação de um programa estadual de escolas cívico-militares. Ele não detalhou como será a ação e quantas unidades devem recebê-lo. 

Os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) já tinham anunciado que manteriam os programas. Os três apoiaram Bolsonaro na eleição do ano passado, e tanto Tarcísio quanto Ratinho tiveram seus nomes especulados como possíveis candidatos ao Planalto em 2026. 

Não há previsão de fechamento de unidades. O que vai ocorrer é o fim desse modelo com fomento federal. Redes de ensino nos estados podem manter o formato com recursos próprios, se assim desejarem —exatamente o que São Paulo, Paraná e Distrito federal anunciaram que farão. 

O MEC (Ministério da Educação) encaminhou um ofício para as secretarias de educação para elas iniciarem transição desse modelo e retirar militares das escolas. 

O documento do MEC, distribuído desde segunda-feira (10), fala que o “progressivo encerramento do programa” foi decidido após avaliação da medida. A ideia é que o programa acabe no fim do ano letivo, com a retirada do pessoal das Forças Armadas que atuam nas escolas. 

O Ministério da Defesa também concordou com a decisão do MEC. 

No início do ano, o governo extinguiu uma subsecretaria que fora criada na gestão Bolsonaro para cuidar do tema. O ministro da Educação da gestão Lula, Camilo Santana, já havia sinalizado que não apoiaria a medida, mas ainda faltava a definição sobre como ficariam as escolas já no modelo. 

Nele, militares da reserva, bem como policiais militares e bombeiros, atuam na administração da escola. Diferentemente das escolas puramente militares, totalmente geridas pelo Exército, nesse desenho as secretarias de Educação continuam responsáveis pelo currículo escolar, mas estudantes precisam usar fardas e seguir regras definidas por militares. 

O PT é majoritariamente contra o modelo. Mas há também no partido e nas legendas que apoiam o governo quem o defenda. 

Essa indefinição que perdurou o primeiro semestre de 2023 vinha alimentando tanto críticas à militarização quanto cobranças daqueles que são favoráveis. No Congresso, Camilo repetiu a parlamentares que, além de o modelo não estar alinhado com a política do governo, haveria desvio de finalidade no uso de recursos da educação para o pagamento de militares.

Preço do ovo dispara mais de 20% em 12 meses e registra maior alta em 10 anos

O preço do ovo de galinha, um alimento muito comum no cardápio dos brasileiros, registrou a maior alta em uma década no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações foram publicadas pelo Metrópoles.

Nos últimos 12 meses, o preço do ovo subiu mais de 20% – um aumento sete vezes maior do que a inflação oficial do país no período, de 3,16% (até junho de 2023).

Segundo os dados do IBGE, o preço do ovo de galinha teve um aumento de 23% em apenas um ano. As carnes e o frango, por sua vez, ficaram mais baratos, com quedas de preço de 6,7% e 3,9%, respectivamente.

DEFLAÇÃO

Em junho, segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,08%. Em linhas gerais, chama-se de deflação a queda média de preços de produtos e serviços, que ocorre de forma contínua. Trata-se de uma “inflação negativa” – ou seja, abaixo de zero.

Foi a menor variação para o mês de junho desde 2017, quando o índice teve deflação de 0,23%. É a primeira deflação em nove meses, desde setembro do ano passado, no auge do período eleitoral (-0,29%).

Golpistas já distribuem links falsos do Desenrola Brasil no Facebook e WhatsApp

O programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil lançado nesta segunda-feira (17) já serve como isca para fraudes que circulam no WhatsApp e nas redes sociais. Uma busca na biblioteca de anúncios do Facebook pelo termo “desenrola” retorna centenas de links patrocinados. Parte desses endereços redireciona para sites fraudulentos.
 

Um deles simula um chatbot de autoatendimento que faz perguntas e as responde com promessas enganosas sobre o programa de renegociação de dívidas -promete, por exemplo, descontos de 99%. 

Outro link vende um material chamado “Guia do nome limpo” por R$ 27. O pagamento pode ser feito via Pix ou cartão de crédito. 

Como os posts identificados pela reportagem são patrocinados, a Meta, empresa que controla Facebook, Instagram e WhatsApp, recebe para aumentar o alcance deles. Procurada pela reportagem na tarde desta terça (18), a empresa afirma não permitir atividades fraudulentas ou quaisquer atividades que violem seus padrões de comunidade e publicidade. 

“Usamos uma combinação de denúncias da nossa comunidade, tecnologia e revisão humana para identificar conteúdos violadores e aplicar nossas políticas”, diz a empresa. A Meta incentiva os usuários a denunciar golpes na própria plataforma.

Segundo checagem da Agência Lupa, um link circula no WhatsApp desde segunda-feira (17) instruindo pessoas a acessarem um site falso, que supostamente seria da Serasa. 

Os bancos participantes do Desenrola têm canais próprios para os correntistas interessados em quitar dívidas adquiridas entre 2019 e 2022 e é o endividado que deve procurá-los para negociar, e não o contrário. Por isso, qualquer link que não seja da instituição financeira é suspeito de golpe.
 

Procurada pela reportagem, a Serasa diz que faz renegociação de dívidas apenas por meio dos canais oficiais da empresa -o site Serasa Limpa Nome, o aplicativo para smartphone Android e iPhone e o WhatsApp (11) 99575-2096.
 

É comum que golpistas se passem por representantes de empresas que renegociam dívidas nas redes sociais para oferecer propostas incompatíveis com o que é praticado no mercado, segundo a coordenadora de soluções da Serasa, Franciele Tiburcio. “Prometem retirar a negativação na hora e aumentar o score [pontuação] de crédito em 24 horas, o que é impossível.”
 

Um vídeo falso checado pelo UOL, por exemplo, diz que as dívidas serão perdoadas com 99% de desconto. Mas os descontos oferecidos por Caixa e banco Inter chegam ao máximo de 90%, e apenas para algumas condições.
O valor final é decidido em negociação com o banco.
 
O objetivo dos criminosos é levar o endividado ao link falso. O site é uma falsificação da plataforma da Serasa, numa suposta edição especial do Desenrola Brasil. A Serasa esclarece que não é responsável pelo endereço. 

De acordo com relatório da empresa de cibersegurança Kaspersky, o Brasil é líder global em fraudes aplicadas a partir de links falsos -a prática usa uma isca e, por isso, é chamada de phishing, em referência ao verbo pescar, em inglês. Os estelionatários usam esse engodo para furtar dinheiro e informações pessoais, que podem ser usadas em outros golpes financeiros –compra online, criação de contas-laranja, entre outros crimes. 

A Kaspersky identificou 76 mil tentativas de phishing no Brasil apenas em 2022. Em menor proporção, os golpes também ocorrem no Telegram e Viber.

Novo relatório da Kaspersky, divulgado nesta terça (18), ainda mostra que 65% dos brasileiros não sabem reconhecer se um site é legítimo. 

Para evitar fraudes, a empresa recomenda desconfiar de promessas exageradas, verificar o endereço do site, que pode conter erros gramaticais e trocas de letras por números, e ter um antivírus instalado no aparelho –o software tem uma lista de sites suspeitos, que pode impedir o golpe. 

Procurado pela reportagem, o Ministério da Fazenda informou que divulga orientações sobre o programa nas redes sociais. Segundo a pasta, as pessoas devem denunciar as fraudes às instituições representativas do setor bancário –Febraban (Federação Brasileira de Bancos), ABBC (Associação Brasileira dos Bancos Comerciais) e a Zetta. 

**COMO PARTICIPAR DO DESENROLA BRASIL**
 
Interessados em participar do Desenrola Brasil precisam procurar seus bancos até 30 de dezembro deste ano. 

Os cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander) anunciaram a adesão ao programa. Além deles, C6, Daycoval, Inter, PagBank e Pan também informaram que participarão. O banco Mercantil disse que avalia a adesão, enquanto Banrisul, BMG e Nubank não responderam à reportagem da Folha.

Para participar da atual rodada de negociação, o devedor precisa receber entre R$ 2.640 e R$ 20 mil por mês e ter entrado na lista de inadimplentes entre 2019 e 2022. A dívida não pode ser relativa a crédito rural, ter garantia da União ou entidade pública, ter risco de crédito integralmente assumido pelo agente financeiro, ter previsão de aporte de recurso público ou equalização de taxa de juros pela União.

**VALIDADOR DE BOLETOS DA SERASA**
 
A empresa disponibiliza um verificador de meio de pagamentos na plataforma Limpa Nome, disponível na internet, no Google Play e na App Store. 

Após fazer login com CPF e senha, o usuário deve selecionar a aba Soluções. Depois, ir até a opção Validar Meio de Pagamento na seção Pagamentos. 

Por fim, é preciso acrescentar o código do Pix ou do código de barras no campo indicado. 

Caso o boleto não seja da Serasa, verifique se no campo beneficiário consta uma instituição financeira autorizada a renegociar dívidas.

As tentativas de fraudes podem ser registradas em boletins de ocorrência em delegacias online da Polícia Civil.
 

Governo Federal encerra programa de desconto para carros leves

O programa de incentivo à compra de veículos, com a liberação de todos os recursos disponíveis para carros leves, foi encerrado pelo governo nesta sexta-feira (7). Segundo o balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 125 mil carros foram comercializados com descontos entre R$ 2 mil e R$ 8 mil, ou 1,7% e 11,7%. As informações são da Agência Brasil.

“Nós tivemos casos de redução de valor bem maior, 14%, 16% até 21%. Aí por conta do setor privado, das montadoras e concessionárias. E foi muito positivo porque o desconto era para carros até R$ 120 mil, mas acima de R$ 120 mil também aumentou a venda porque despertou o interesse”, declarou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ao apresentar os números do programa.

De acordo com Alckmin, nove montadoras participaram com a venda de 117 modelos de carros. Na última semana de junho foi registrada a maior venda dos últimos 10 anos. O recorde da história da indústria automotiva ficou para o dia 30 de junho, quando 27 mil veículos foram emplacados.

“Se você pegar o auge da indústria automobilística, foi de uma produção de 3,8 milhões de veículos. Esse foi o auge. Hoje, a produção é 2,3 milhões. Nem naquele período, não teve um dia que vendeu, que emplacou 27 mil veículos”, destacou.

Foram liberados R$ 650 milhões dos R$ 800 milhões disponíveis para veículos leves. De acordo com o MDIC, os R$ 150 milhões restantes compensarão a perda de arrecadação de impostos provocada pelos descontos no preço final.

Já para caminhões, vans e ônibus, o programa segue em vigor. O prazo é de quatro meses ou até os créditos tributários se esgotarem. Está prevista a utilização de R$ 700 milhões para a venda de caminhões e R$ 300 milhões para vans e ônibus, sendo que já foram utilizados R$ 100 milhões e R$ 140 milhões, respectivamente.

Para Alckmin, a utilização dos créditos para veículos pesados é mais demorada pois o programa objetiva a renovação da frota e há morosidade na baixa dos veículos antigos pelos departamentos de Trânsito dos estados. “Falei com o Denatran [Departamento Nacional de Trânsito] e ele se responsabilizou em conversar com todos os Detrans”, disse Alckmin

Quase 70% dos adultos entre 45 e 54 anos estão com excesso de peso, segundo pesquisa

Mais da metade da população brasileira (56,8%) está com excesso de peso, um aumento de quase 10% em relação a 2022, quando a prevalência foi de 52,6%, mostram dados de um inquérito nacional divulgado nesta quinta (29).

Adultos entre 45 e 54 anos respondem pela maior prevalência: 68,5% deles estão com sobrepeso ou obesidade. Em seguida, estão os jovens entre 18 e 24 anos, com 40,3% deles apresentando IMC (índice de massa corporal) igual ou acima de 25 kg /cm². 

Os dados são do Covitel 2023 (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia) desenvolvido pela Vital Strategies, organização global de saúde pública, e pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas), com financiamento da Umane e apoio da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). 

Segundo o inquérito, 26,6% dos brasileiros tiveram diagnóstico de hipertensão, com maiores prevalências entre mulheres (30,8%), maiores de 65 anos (62,5%) e aqueles com até oito anos de escolaridade (38%). Entre os mais escolarizados, com 12 anos ou mais de estudo, a prevalência cai para menos da metade, com 15,6% de hipertensos.

Para Pedro Hallal, professor da UFPel e um dos coordenadores do inquérito, isso é reflexo da combinação entre dieta inadequada e prática insuficiente de atividade física. 

“Quando olhamos o quadro epidemiológico brasileiro de 20 anos atrás, a obesidade era algo que acontecia mais nas famílias mais ricas. Isso está se invertendo com o passar do tempo. Nos Estados Unidos e México, a obesidade é muito maior entre os mais pobres. O Brasil está copiando esse modelo”, diz. 

Para ele, a obesidade e a inatividade física são os grande vilões da saúde pública neste século, representam um grande desafio para governos de todo o mundo e há muito o que se fazer em termos de políticas públicas. 

“Pode explorar a questão de ciclovias, de fechamento de ruas nos fins de semana, pode fazer academias populares, programas de esporte de lazer e inclusivo”, afirma.

Hipertensa há mais de 20 anos e com problema renal, a funcionária pública aposentada Sandra Lopes Ribeiro, 72, chegou a pesar 151 kg. Fez tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal, em São Paulo, e eliminou 57 kg. Na pandemia de Covid-19, recuperou quase 20 kg e hoje está na casa dos 120 kg. 

Antes da pandemia, ela diz que era muito ativa. Caminhava e passeava bastante. A ameaça de contrair o coronavírus a trancou em casa. Agora, começou uma rotina com exercícios e terapia numa Ursi (Unidade de Referência à Saúde do Idoso). 

Sandra diz que também recebeu orientações sobre controle de peso e alimentação e que abriu mão de refrigerantes, linguiça e embutidos. Por decisão própria, afirma que não janta mais. 

“Para o nutricionista é errado não jantar, mas me acostumei. Até seis horas da tarde, se der vontade, tomo sopa e mais tarde chá de camomila ou erva-cidreira com uma bolachinha. Mas ainda estou pecando no bendito doce. Tenho a consciência de que preciso melhorar.”

A situação de Sandra é ilustrada pelos dados do Covitel, que mostram uma alta prevalência da hipertensão e diabetes, especialmente entre os idosos e os menos escolarizados. 

O cenário é parecido com a diabetes. Enquanto na população em geral a taxa é de 10,3%, em pessoas acima de 65 anos é de 26,2%, e entre aquelas com zero a oito anos de estudo, 15,7%. 

A advogada Neusa Camargo, 77, entrou para as estatísticas de brasileiros hipertensos na tarde desta quinta (29), durante consulta com a equipe de medicina e família do Centro de Saúde Escola Professor Samuel Barnsley Pessoa, da Faculdade de Medicina da USP. 

“Eu faço check-up uma vez por ano. É estranho você querer fazer um check-up no SUS. As pessoas só vêm aqui quando está tudo errado e não tem mais jeito. Elas não sabem usar o SUS”, afirma.

Neusa contou à reportagem que cuida da alimentação e pretende retomar a rotina de exercícios de antes da pandemia de Covid-19, na academia.
 
A descoberta da hipertensão não assustou a advogada. “Como eu sempre fiz prevenção, sabia que seria natural eu começar a ter alguma coisa após um certo tempo. É a primeira vez que vou tomar um remédio contra hipertensão.”

Em relação à alimentação, a paciente não vê necessidade de mudanças. “Deus fez tudo certinho comigo. Não gosto de doces, de pão, massas. Gosto muito de churrasco, frutas, legumes e verduras.”
 

Segundo Luciana Sardinha, gerente sênior da Vital Strategies e uma das coordenadoras do Covitel, os dados mostram que não houve um aumento dessas doenças em relação ao período pré-pandêmico, o que pode revelar um represamento dos casos.

Situação ainda mais grave, diz ela, são os casos já conhecidos e que não estão controlados. Dados do Previne Brasil, programa criado no primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro (PL) e que mudou a forma de financiamento da atenção primária, mostram que mais de 80% dos municípios brasileiros não atingem metas de controle de diabetes e hipertensão.
 

“Os municípios precisam ter as ferramentas necessárias para conhecer e monitorar os seus usuários de maneira simples”, diz Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane.
 

Para Pedro Hallal, também é importante o investimento em tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, como grupos de diabéticos e hipertensos de caminhada e reeducação alimentar.
 

“Eles até existem em muitas unidades básicas de saúde, mas não como política pública expandida. Não está disseminado em todas as UBS como deveria estar”, explica.
 

Segundo ele, o acesso a medicamentos para manter essas condições sob controle, especialmente para a população de baixa renda, também ficou mais difícil nos últimos anos com o desabastecimento de remédios essenciais no Programa Farmácia Popular.

Hallal e Sardinha também chamam a atenção para o desafio que é a adesão dos pacientes aos tratamentos de doenças crônicas.
 

“Se eu estou com dor de cabeça, tomo um paracetamol e resolve o problema. A hipertensão e a diabetes muitas vezes não apresentam sintomas, e as pessoas não tomam ou param de tomar remédio. Se não têm acesso, é ainda pior porque vão ter que escolher entre comprar um remédio ou alimentação para a família”, diz Hallal.

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